Reescrevi o que coloquei na discussão do fórum Entre Pontos e Vírgulas:
Vou comentar um pouquinho das minhas impressões: ALEMÃES
COMENDO - grifei a parte na qual se diz que na Inglaterra são se achavam mais
famílias grandes porque estavam ocupadas com o sufrágio universal. A PEQUENA
GOVERNANTA - achei muito interessante a cadência da escrita. Os acontecimentos
vão nos envolvendo e vamos entrando na atmosfera dela. Os morangos, o convite,
o passeio, o sorvete... Tudo vai sendo muito bem "preparado". Gosto
da escrita assim. Me leva. JE NE PARLE PAS FRANÇAIS - como está na página 271,
senti a homosexualidade logo de cara. SRTA. BRILL - amei! identificação total!
PRELÚDIO - na página 112 comecei a prestar atenção em uma característica da
escrita da autora que se repete em outros contos também que é a
"vida" que as coisas ganham ou seria a semelhança dela com as coisas,
visto o tédio que toma conta dela? "... o mais estranho de as coisas se
tornarem vivas era o que elas faziam.". A figura da mãe e avó me chamou
bem atenção. A típica figura na cozinha. Também é interessante o relacionamento
com os empregados. Stanley personagem dos mais típicos. Muito bem delineado
pela autora. Seu relacionamento com Pat, o ajudante, nos faz pensar. E o que
dizer da visita da Sra. Smith? A segunda linha da página 126 é explícita com a
fala "Não me parece que a senhora deva apresentar-me à empregada. Acho que
basta que eu lhe dirija a palavra." Alice era a criada que continha-se com
seus diálogos mentais. Não respondia, mas a resposta para tudo estava em si. A
questão da mulher é super bem trabalhada. Temos a irmã, a carta para a amiga...
o grito diante do espelho! NA BAÍA - a Sra. Harry Dember é a figura típica da
vanguardista no sentido de não acomodar o modelo de mulher. Sempre me apaixono
por estas personagens! "Não se engane, minha querida. Divirta-se." E
a questão da maternidade não desejada. Há muitos anos iniciei o questionamento
com uma psicanalista que disse: Por que uma mãe necessariamente precisa amar seu
filho? E se ela não gostar dele? Putz! Dei mil reviravoltas em minhas
caraminholas e revisitei este diálogo neste conto sensacional! E o que dizer da
figura do cunhado? Ela o achou atraente, talentoso, excepcional... Lá pela
página 184 a semelhança dela com a mobília volta a me assaltar "E tudo,
até mesmo os balaústres da cama conhecem você, tudo responde, compartilha seu
segredo..." A solidão também é abordada. A CASA DE BONECAS - Gente! O que
que foi esse conto! Meu Deus! Super bem escrito, super bem elaborado! Uma
crítica social incrível! Um profundo conhecimento da mesquinhez e das
artimanhas humanas. Para mim o melhor do livro inteiro. Nossa pequena Else.
MARRIAGE À LA MODE - "Isabel enterrou o rosto no travesseiro. Mas sentiu
que até o quarto solene a conhecia como ela era de fato, superficial, exibida,
fútil..." CONTO DE HOMEM CASADO - nas páginas 218 e 219 temos uma
magistral análise interna dos casais. AS FILHAS DO FALECIDO CORONEL - O que é a
mente humana, não? Medo do pai morto. Assim a sociedade moldou muitas mulheres:
pelo medo. E a pergunta: Como teria sido? A MOSCA - Achei muito bem trabalhado
o conto no qual o desconforto e o esquecimento se entrelaçam me fazendo lembrar
de uma frase que ouvi ano passado: o esquecimento é uma dádiva. APÊNDICE - No
finalzinho do livro temos uma riqueza que são fotos e comentários, além de
trechos dos diários da autora. Tudo muito bem casado com cada conto.

