terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Contos - Katherine Mansfield

Contos - Katherine Mansfield



Reescrevi o que coloquei na discussão do fórum Entre Pontos e Vírgulas:

Vou comentar um pouquinho das minhas impressões: ALEMÃES COMENDO - grifei a parte na qual se diz que na Inglaterra são se achavam mais famílias grandes porque estavam ocupadas com o sufrágio universal. A PEQUENA GOVERNANTA - achei muito interessante a cadência da escrita. Os acontecimentos vão nos envolvendo e vamos entrando na atmosfera dela. Os morangos, o convite, o passeio, o sorvete... Tudo vai sendo muito bem "preparado". Gosto da escrita assim. Me leva. JE NE PARLE PAS FRANÇAIS - como está na página 271, senti a homosexualidade logo de cara. SRTA. BRILL - amei! identificação total! PRELÚDIO - na página 112 comecei a prestar atenção em uma característica da escrita da autora que se repete em outros contos também que é a "vida" que as coisas ganham ou seria a semelhança dela com as coisas, visto o tédio que toma conta dela? "... o mais estranho de as coisas se tornarem vivas era o que elas faziam.". A figura da mãe e avó me chamou bem atenção. A típica figura na cozinha. Também é interessante o relacionamento com os empregados. Stanley personagem dos mais típicos. Muito bem delineado pela autora. Seu relacionamento com Pat, o ajudante, nos faz pensar. E o que dizer da visita da Sra. Smith? A segunda linha da página 126 é explícita com a fala "Não me parece que a senhora deva apresentar-me à empregada. Acho que basta que eu lhe dirija a palavra." Alice era a criada que continha-se com seus diálogos mentais. Não respondia, mas a resposta para tudo estava em si. A questão da mulher é super bem trabalhada. Temos a irmã, a carta para a amiga... o grito diante do espelho! NA BAÍA - a Sra. Harry Dember é a figura típica da vanguardista no sentido de não acomodar o modelo de mulher. Sempre me apaixono por estas personagens! "Não se engane, minha querida. Divirta-se." E a questão da maternidade não desejada. Há muitos anos iniciei o questionamento com uma psicanalista que disse: Por que uma mãe necessariamente precisa amar seu filho? E se ela não gostar dele? Putz! Dei mil reviravoltas em minhas caraminholas e revisitei este diálogo neste conto sensacional! E o que dizer da figura do cunhado? Ela o achou atraente, talentoso, excepcional... Lá pela página 184 a semelhança dela com a mobília volta a me assaltar "E tudo, até mesmo os balaústres da cama conhecem você, tudo responde, compartilha seu segredo..." A solidão também é abordada. A CASA DE BONECAS - Gente! O que que foi esse conto! Meu Deus! Super bem escrito, super bem elaborado! Uma crítica social incrível! Um profundo conhecimento da mesquinhez e das artimanhas humanas. Para mim o melhor do livro inteiro. Nossa pequena Else. MARRIAGE À LA MODE - "Isabel enterrou o rosto no travesseiro. Mas sentiu que até o quarto solene a conhecia como ela era de fato, superficial, exibida, fútil..." CONTO DE HOMEM CASADO - nas páginas 218 e 219 temos uma magistral análise interna dos casais. AS FILHAS DO FALECIDO CORONEL - O que é a mente humana, não? Medo do pai morto. Assim a sociedade moldou muitas mulheres: pelo medo. E a pergunta: Como teria sido? A MOSCA - Achei muito bem trabalhado o conto no qual o desconforto e o esquecimento se entrelaçam me fazendo lembrar de uma frase que ouvi ano passado: o esquecimento é uma dádiva. APÊNDICE - No finalzinho do livro temos uma riqueza que são fotos e comentários, além de trechos dos diários da autora. Tudo muito bem casado com cada conto.


Max e os Felinos - Moacyr Scliar

Max e os Felinos - Moacyr Scliar
L&PM
Edição de 1981
Coleção Novaleitura volume 2
78 páginas



Houve a polêmica sobre o plágio que o autor canadense teria feito ao criar o livro "A vida de Pi", posteriormente virou filme de sucesso. Quando procurei o livro estrangeiro, traduzido para Português, encontrei o título "As Aventuras de Pi". Deve ter sido editado assim após o lançamento do filme.




Moacyr Scliar escreveu muitos outros livros e foi membro da Academia Brasileira de Letras um ano depois da polêmica ter vindo à tona. Ele faleceu em 27/02/2011.
Visite o site oficial do autor: http://www.scliar.org/moacyr/




Uma história que começa em Berlim e termina em Porto Alegre.

“Ao clarear do dia viu-se sozinho na vastidão do oceano. Enorme angústia apossou-se dele; pôs-se a chorar desabaladamente. Que triste situação. Que triste vida. Infância não de todo feliz; adolescência atormentada; fuga precipitada da pátria; e agora isso, o naufrágio! Era demais. Chorava, sim, chorava e se maldizia também...”


“O bicho olhou-o com uma expressão de tal genuíno assombro que Max se convenceu: não, não era um robô. Poderia, isto sim, ser um jaguar amestrado, condicionado para se mover no complexo labirinto de suas emoções, para lhe servir de sparing nesta luta pela sobrevivência; para maltratá-lo sem mata-lo, para leva-lo à exasperação, às últimas reservas psíquicas. (...)”

O Coronel Charbert - Honoré de Balzac

O Coronel Charbert - Honoré de Balzac

O Coronel Chabert
Honoré de Balzac
Companhia das Letras
Tradução: Eduardo Brandão
83 páginas na edição de 2012



Trata-se de um livro rápido e ótimo! Mostra a questão do Direito, da Justiça, por vezes tão injusta!

Várias citações:

“errei constantemente como um vagabundo, mendigando meu pão, tratado de louco quando contava minha aventura, e sem ter encontrado nem ganhado um vintém para conseguir os documentos que podiam provar meus dizeres e restituir à vida social”
“Juro que naquela época e ainda hoje, em certos momentos meu nome me desagrada. Gostaria de não ser eu. O sentimento de meus direitos me mata.”
“O ego, em seu pensamento, não passava de um objeto secundário, assim como a vaidade do triunfo ou o prazer de ganhar se tornam mais caros ao apostador do que o próprio objeto da aposta.”
“Há felicidades em que não acreditamos mais; elas caem como um raio, e nos fulminam.”
“Lembro ter chorado diante de um solar em Estrasburgo, onde outrora eu dera uma festa, e não obtive nada, nem mesmo um pedaço de pão.”
“Para mim era dor sobre dor.”
“O infortúnio é uma espécie de talismã cuja virtude consiste em corroborar nossa constituição primitiva: ele aumenta a desconfiança e a maldade de certos homens, assim como aumenta a bondade dos que têm um coração excelente.”
“O senhor não pode saber até onde vai meu desprezo por esta vida exterior a que a maioria dos homens tanto se apega. Fui subitamente acometido por uma doença, o desgosto pela humanidade. (...) , é melhor ter luxo em seus sentimentos do que em seus trajes. Não temo, quanto a mim, o desprezo de ninguém.”

“Mas nós, advogados, vemos se repetirem os mesmos maus sentimentos, nada os corrige, nossos escritórios são esgotos que não se podem limpar. (...) Não posso lhe contar tudo o que vi, porque vi crimes contra os quais a Justiça é impotente. Enfim, todos os horrores que os romancistas creem inventar ficam sempre aquém da verdade.”


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Mulheres Perfeitas - Ira Levin

Mulheres Perfeitas
Ira Levin

Li este livro rapidinho! É uma edição da Bertrand Brasil, com letras em tamanho bom e 141 páginas. A tradução é de Franklin David Fumjanek. Já imaginou do que os homens são capazes de fazer diante de mulheres com ideias feministas? O livro mostra um pouco do que são capazes. Há um prefácio excelente de Peter Straub.


Já havia visto o filme há muito tempo, numa madrugada qualquer.


Agora fiz um vídeo para incentivar quem estiver enrolando para ver:


https://www.youtube.com/watch?v=JmEISY-s36g&list=UUw6deB4jZ-MbNRcRZLgz06g